Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” – “Ensaio sobre a Cegueira”

No final deste ano letivo, no âmbito do Plano Nacional de Cinema, os alunos do 12.º ano da ESDAH tiveram oportunidade de visionar o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, transposição para o cinema da obra homónima de José Saramago. Após o estudo de outro romance saramaguiano e da abordagem de três curtas-metragens (“The Gift” de Julio Pot, “Perfeito” de Mauricio Bartok e “O Primeiro Voo”, dirigido por Cameron Hood e Kyle Jefferson), que permitiram aos alunos refletir sobre temáticas relacionadas com as relações humanas, a partilha, a resiliência e a capacidade de sonhar, com esta “Quarta de Cinema”, os alunos tiveram a oportunidade de sentir todo o desconforto associado a um momento em que a humanidade perde a “visão” e submerge numa realidade em que impera a luta instintiva pela sobrevivência. O facto de, durante toda a sessão de cinema, os alunos estarem distanciados dos seus colegas e de terem cumprido todas as regras de segurança, impostas pela situação pandémica que ainda vivemos, fê-los experienciar de uma forma mais intensa todo o drama da ação retratada no ecrã.  Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”. Inspirados nas palavras do nosso Nobel da Literatura, os alunos foram desafiados a fazer o mesmo: durante muito mais que as duas horas da duração do filme.

Cartazes elaborados pelos alunos

No final da sessão, os alunos tiveram a oportunidade de, num mural virtual interativo e colaborativo, partilhar as suas  impressões relativamente a este filme.

Ficam alguns registos:

M&M 12.º H1:

Ainda que o livro me tenha causado um verdadeiro impacto e ocupe um lugar especial no meu coração, o filme que procura retratar o mesmo também não fica nada atrás.
Tal como no livro, um dos momentos que mais me marca é, precisamente, quando, após serem violentadas, humilhadas, objetificadas e violadas, as mulheres, mesmo assim, têm um espírito de união e juntas procuram dar um desfecho digno à vida da companheira. É um momento de sororidade que demonstra a força e a união que nos alimenta enquanto mulheres numa sociedade machista e patriarcal, que nos reduz à nossa condição sexual, seja no dia a dia, seja no “fim do mundo” que encontramos na falta de visão.

         O “Ensaio sobre a Cegueira” personifica uma reflexão do poder da ignorância – a consequência de quem olha, mas não vê, de quem vê, mas não repara. É uma aflição constante sermos confrontados com a nossa condição mais animalesca e primitiva. Seria assim que nos comportaríamos caso nos tirassem um dos nossos sentidos? Seríamos reduzidos a animais, sem noção de moral ou sem um pingo de humanidade? A resposta talvez todos a saibam, mas muitos não a queiram reconhecer e isso reflete-se nos nossos comportamentos e valores diários.

 

RMA, 12.º CSE:

O filme é muito impactante e faz-nos refletir sobre a humanidade dentro de cada um de nós. Como será que nos iríamos comportar numa situação semelhante? Para além disso, também questiona se o que aparentemente é uma condição de privilégio (a possibilidade de “ver”) não pode ser antes um fator de sofrimento e de imenso pesar, uma vez que cria uma responsabilidade desgastante. Os momentos que mais me marcaram no filme, principalmente devido à emoção que transmitiram, foram a cena em que a mulher do médico mata o “rei” estuprador da Camarata 3 e o momento em que as personagens tomam um banho de chuva para comemorarem a “liberdade”. 

 

BA, 12.º CSE:

Este filme fez-nos pensar se quem realmente sofreu mais foram aqueles que perderam a visão ou a mulher que a manteve e, por isso, assistiu à perda de humanidade por parte dos outros e a tudo o que foram capazes de fazer. Gostei particularmente do momento em que, já no final, aparece um cão que recusa alimentar-se de um corpo humano e se junta à mulher que nunca perdeu a sua humanidade. Esta união daqueles que conseguiram “ver” no meio da “cegueira” e não perderam a sua essência acabou por me consolar um pouco e fazer restabelecer alguma fé na humanidade.

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