{"id":9146,"date":"2021-08-03T16:01:43","date_gmt":"2021-08-03T16:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/?p=9146"},"modified":"2022-04-27T10:46:20","modified_gmt":"2022-04-27T10:46:20","slug":"quarta-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/quarta-de-cinema\/","title":{"rendered":"Quarta de Cinema"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201c<em>Se podes olhar, v\u00ea. Se podes ver, repara<\/em>.\u201d &#8211; &#8220;<em>Ensaio sobre a Cegueira&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No final deste ano letivo, no \u00e2mbito do Plano Nacional de Cinema, os alunos do 12.\u00ba ano da ESDAH tiveram oportunidade de visionar o filme \u201c<em>Ensaio sobre a Cegueira<\/em>\u201d, transposi\u00e7\u00e3o para o cinema da obra hom\u00f3nima de Jos\u00e9 Saramago. Ap\u00f3s o estudo de outro romance saramaguiano e da abordagem de tr\u00eas curtas-metragens (\u201c<em>The Gift<\/em>\u201d de Julio Pot, \u201c<em>Perfeito<\/em>\u201d de Mauricio Bartok e \u201c<em>O Primeiro Voo<\/em>\u201d, dirigido por Cameron Hood e Kyle Jefferson), que permitiram aos alunos refletir sobre tem\u00e1ticas relacionadas com as rela\u00e7\u00f5es humanas, a partilha, a resili\u00eancia e a capacidade de sonhar, com esta \u201c<em>Quarta de Cinema<\/em>\u201d, os alunos tiveram a oportunidade de sentir todo o desconforto associado a um momento em que a humanidade perde a \u201cvis\u00e3o\u201d e submerge numa realidade em que impera a luta instintiva pela sobreviv\u00eancia. O facto de, durante toda a sess\u00e3o de cinema, os alunos estarem distanciados dos seus colegas e de terem cumprido todas as regras de seguran\u00e7a, impostas pela situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica que ainda vivemos, f\u00ea-los experienciar de uma forma mais intensa todo o drama da a\u00e7\u00e3o retratada no ecr\u00e3. \u00a0<strong>\u201c<em>Se podes olhar, v\u00ea. Se podes ver, repara<\/em>.\u201d<\/strong>. Inspirados nas palavras do nosso Nobel da Literatura, os alunos foram desafiados a fazer o mesmo: durante muito mais que as duas horas da dura\u00e7\u00e3o do filme.<\/p>\n<p>Cartazes elaborados pelos alunos <a href=\"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/2021\/08\/03\/quarta-de-cinema\/plano-nacional-de-cinema-1\/\" rel=\"attachment wp-att-9148\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9148\" src=\"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/PLANO-NACIONAL-DE-CINEMA-1.gif\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"810\" \/><\/a><\/p>\n<p>No final da sess\u00e3o, os alunos tiveram a oportunidade de, num mural virtual interativo e colaborativo, partilhar as suas \u00a0impress\u00f5es relativamente a este filme.<\/p>\n<p>Ficam alguns registos:<\/p>\n<p><strong>M&amp;M 12.\u00ba H1:<\/strong><\/p>\n<p><em>Ainda que o livro me tenha causado um verdadeiro impacto e ocupe um lugar especial no meu cora\u00e7\u00e3o, o filme que procura retratar o mesmo tamb\u00e9m n\u00e3o fica nada atr\u00e1s.<br \/>\nTal como no livro, um dos momentos que mais me marca \u00e9, precisamente, quando, ap\u00f3s serem violentadas, humilhadas, objetificadas e violadas, as mulheres, mesmo assim, t\u00eam um esp\u00edrito de uni\u00e3o e juntas procuram dar um desfecho digno \u00e0 vida da companheira. \u00c9 um momento de sororidade que demonstra a for\u00e7a e a uni\u00e3o que nos alimenta enquanto mulheres numa sociedade machista e patriarcal, que nos reduz \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o sexual, seja no dia a dia, seja no &#8220;fim do mundo&#8221; que encontramos na falta de vis\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O &#8220;Ensaio sobre a Cegueira&#8221; personifica uma reflex\u00e3o do poder da ignor\u00e2ncia &#8211; a consequ\u00eancia de quem olha, mas n\u00e3o v\u00ea, de quem v\u00ea, mas n\u00e3o repara. \u00c9 uma afli\u00e7\u00e3o constante sermos confrontados com a nossa condi\u00e7\u00e3o mais animalesca e primitiva. Seria assim que nos comportar\u00edamos caso nos tirassem um dos nossos sentidos? Ser\u00edamos reduzidos a animais, sem no\u00e7\u00e3o de moral ou sem um pingo de humanidade? A resposta talvez todos a saibam, mas muitos n\u00e3o a queiram reconhecer e isso reflete-se nos nossos comportamentos e valores di\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>RMA, 12.\u00ba CSE:<\/strong><\/p>\n<p><em>O filme \u00e9 muito impactante e faz-nos refletir sobre a humanidade dentro de cada um de n\u00f3s. Como ser\u00e1 que nos ir\u00edamos comportar numa situa\u00e7\u00e3o semelhante? Para al\u00e9m disso, tamb\u00e9m questiona se o que aparentemente \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio (a possibilidade de &#8220;ver&#8221;) n\u00e3o pode ser antes um fator de sofrimento e de imenso pesar, uma vez que cria uma responsabilidade desgastante. Os momentos que mais me marcaram no filme, principalmente devido \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que transmitiram, foram a cena em que a mulher do m\u00e9dico mata o &#8220;rei&#8221; estuprador da Camarata 3 e o momento em que as personagens tomam um banho de chuva para comemorarem a &#8220;liberdade&#8221;.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BA, 12.\u00ba CSE:<\/strong><\/p>\n<p><em>Este filme fez-nos pensar se quem realmente sofreu mais foram aqueles que perderam a vis\u00e3o ou a mulher que a manteve e, por isso, assistiu \u00e0 perda de humanidade por parte dos outros e a tudo o que foram capazes de fazer. Gostei particularmente do momento em que, j\u00e1 no final, aparece um c\u00e3o que recusa alimentar-se de um corpo humano e se junta \u00e0 mulher que nunca perdeu a sua humanidade. Esta uni\u00e3o daqueles que conseguiram &#8220;ver&#8221; no meio da &#8220;cegueira&#8221; e n\u00e3o perderam a sua ess\u00eancia acabou por me consolar um pouco e fazer restabelecer alguma f\u00e9 na humanidade.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/2021\/08\/03\/quarta-de-cinema\/sessao-de-cinema\/\" rel=\"attachment wp-att-9155\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9155\" src=\"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sessao-de-cinema.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sessao-de-cinema.jpg 1200w, https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sessao-de-cinema-300x126.jpg 300w, https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sessao-de-cinema-1024x429.jpg 1024w, https:\/\/aedah.pt\/biblioteca\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/sessao-de-cinema-768x322.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe podes olhar, v\u00ea. 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